O Conselho Consultivo de Mulheres Jovens (Young Women’s Advisory Board – YWAB) da LAWRS apresenta seu mais recente trabalho: “Vozes de Jovens Latinas: Pesquisa sobre abuso online e o ipacto da fetichização”.
Quem Somos
O YWAB é um grupo de jovens latino-americanas de 18 a 25 anos dedicado a discutir todas as formas de violência contra mulheres e meninas (VAWG, na sigla em inglês). Abordamos este trabalho a partir de nossas experiências vividas e identidades interseccionais como migrantes, latino-americanas e mulheres jovens. Reunimo-nos em um espaço seguro e colaborativo para desenvolver habilidades de liderança e ativismo, participar de discussões políticas e aumentar nossa capacidade de influenciar os espaços de tomada de decisões em prol das jovens da nossa comunidade.
Nosso Programa e o Elaboração de um Relatório de Pesquisa de Pares
Nosso programa ocorreu de maio de 2025 a fevereiro de 2026, com doze sessões de treinamento com foco em ativismo feminista, autocuidado para ativistas, compreensão da VAWG, abuso tecnológico e online, artivismo e métodos de pesquisa entre pares. Essas sessões foram facilitadas pela LAWRS, pela Partnership for Young London e pela artista Ximena Ruiz del Río.
Inicialmente, realizamos grupos focais com integrantes do conselho que têm experiência de vida como mulheres latino-americanas morando e/ou estudando em Londres. Essas discussões nos permitiram identificar experiências comuns e refinar nosso tema de pesquisa. Coletivamente, decidimos concentrar na nossa investigação na fetichização racial e no abuso online, devido à sua relevância contemporânea e conexão com nossa experiência de vida. Isso nos levou à seguinte questão de pesquisa:
Qual é o impacto da fetichização no TikTok e no Instagram da imagem “latina” nas identidades de jovens mulheres latino-americanas de 18 a 25 anos que vivem em Londres?
Para isso, optamos por uma abordagem de métodos mistos: entrevistas semiestruturadas, questionário online e análise de conteúdo de mídias sociais. Realizamos 15 entrevistas semiestruturadas com mulheres latino-americanas de 18 a 25 anos que vivem e/ou estudam em Londres. Para complementar os dados das entrevistas, realizamos uma pesquisa online, que recebeu 36 respostas com dados quantitativos e qualitativos. Por fim, realizamos uma análise de conteúdo de postagens nas redes sociais, com foco no TikTok e no Instagram, para identificar padrões de fetichização racial e representação sexualizada. Com isso, escrevemos colaborativamente este relatório de pesquisa que inclui nossas principais conclusões e recomendações de políticas.
Principais Descobertas
Nossa pesquisa revelou cinco descobertas principais:
- A imagem fetichizada da “latina” no TikTok e no Instagram reforça uma imagem racializada e patriarcal das mulheres latino-americanas.
- As redes sociais perpetuam o estereótipo da “latina” como sendo “irritada” ou “agressiva”, mas também “submissa” e “controlável”.
- O TikTok e o Instagram amplificam o conteúdo fetichista sobre as “latinas”, o que significa que elas são constantemente expostas a eles, o que reforça e normaliza estereótipos prejudiciais.
- As expectativas físicas hipersexualizadas do estereótipo “latina” no TikTok e no Instagram afetam negativamente a relação das jovens com seu próprio corpo.
- A exposição a conteúdo fetichista no TikTok e no Instagram pode criar uma sensação de distanciamento de si mesmas.
- O TikTok e o Instagram promovem padrões coloristas e coloniais do que as mulheres latino-americanas “devem” ser.
- O conteúdo fetichista sobre “latinas” no TikTok e no Instagram contribui para sentimentos de alienação de sua comunidade devido a representações limitadas e distorcidas.
- A normalização do conteúdo fetichista sobre “latinas” no TikTok e no Instagram dessensibiliza e desestimula denúncias às plataformas de mídia social.
- A fetichização online impede a participação política, pois desvaloriza as vozes e o envolvimento público das mulheres latino-americanas.
Essas descobertas fornecem informações valiosas sobre como a fetichização racial e o abuso online podem moldar a identidade, o sentimento de pertencimento e a participação política de jovens mulheres latino-americanas no Reino Unido.
Recomendações políticas
Há uma necessidade urgente de ação coordenada em vários níveis. As plataformas de mídia social devem sinalizar, monitorar e remover de forma mais eficaz o conteúdo fetichista. As autoridades governamentais devem legislar adequadamente para garantir que os direitos das mulheres jovens sejam protegidos e garantidos. Outras partes interessadas, incluindo organizações e instituições educacionais, devem promover programas de prevenção que capacitem os jovens a reconhecer, questionar e denunciar esse tipo de conteúdo. As jovens também devem receber apoio para reconhecer essa forma de violência, identificá-la como prejudicial e sentir-se empoderadas para denunciá-la, a fim de mitigar seu impacto sobre a imagem corporal, a autoestima e o senso de identidade e pertencimento. Sem intervenção, esses estereótipos continuam a desvalorizar suas vozes e a impedir sua participação política.
Para uma compreensão mais detalhada de nossa pesquisa, incluindo uma descrição completa das principais descobertas e recomendações políticas, por favor leia nosso relatório completo aqui.
Nosso Artivismo: Uma Resposta Criativa para Combater o Abuso e a Fetichização Online
Como parte de nosso processo de pesquisa, também criamos uma campanha nas redes sociais que representava o nosso compromisso em destacar como a fetichização da imagem ‘latina’ é uma forma de abuso online e o impacto que tem na identidade das jovens mulheres latino-americanas.
Confira toda a campanha, imagens e mensagens em nossas páginas no Instagram:
Envolva-se
Se você tiver alguma dúvida ou quiser participar de nossas atividades gratuitas para jovens latino-americanas, adoraríamos ouvir de você! Entre em contato conosco por e-mail em sinfronteras@lawrs.org.uk.
Nossas atividades estão abertas para meninas e jovens mulheres latino-americanas entre 14 e 25 anos que moram no Reino Unido, incluindo mulheres latino-americanas de primeira e segunda geração e/ou com nacionalidade europeia ou do Reino Unido.










