Por Mariana Brandeburgo, Co-Chair do Board of Trustees da LAWRS

Hoje nos encontramos em um momento de enorme complexidade global e local. O avanço do autoritarismo, da desinformação e da polarização é evidente, e falamos constantemente que vivemos tempos de crise, de rupturas e de retrocessos.

E sim: as tensões políticas, as desigualdades econômicas, o racismo estrutural e as múltiplas violências que atravessam as mulheres, as dissidências e as pessoas migrantes são reais. Mas a nossa determinação também é.

Se algo a trajetória do feminismo nos ensina é que não existe contexto hostil demais para quem decide transformar a realidade. As mulheres, as migrantes, as trabalhadoras, as sobreviventes, as cuidadoras, aquelas que atravessaram fronteiras e aquelas que resistiram ao esquecimento: todas nós construímos os alicerces sobre os quais a LAWRS se sustenta hoje como uma organização indispensável.

Das sufragistas que abriram caminho para uma participação política mais plena, às companheiras que lutaram por leis contra a violência, até as feministas que hoje questionam o racismo institucional e os sistemas migratórios que desumanizam: o fio é o mesmo. Não se trata apenas de conquistar direitos, mas de reimaginar o mundo a partir das nossas próprias experiências, da solidariedade, da dignidade e da justiça.

A LAWRS nasceu dessa convicção: de que nossas vidas importam. De que as mulheres migrantes têm voz, força, memória e futuro. E que esse futuro nós tecemos juntas: em rede, com confiança e com convicção em nossa visão.

Hoje, mais do que nunca, precisamos recuperar algo que as feministas de todos os tempos souberam preservar: a imaginação política. Não como um sonho ingênuo, mas como a capacidade de visualizar aquilo que ainda não existe. De acreditar que podemos habitar instituições diferentes, relações mais justas e comunidades mais acolhedoras. Nossa liderança, então, não se mede apenas pelos serviços que prestamos ou pelas políticas que influenciam—ambos vitais—, mas também por como acendemos esperança e criatividade em tempos em que o medo e o cansaço parecem dominar tudo.

Liderar hoje pode ser oferecer um horizonte. Convidar outras pessoas a acreditar que outra forma de viver, de cuidar umas das outras e de decidir é possível. Se algo distingue a LAWRS é justamente isso: que não apenas acompanhamos, mas mobilizamos. Que não apenas denunciamos, mas propomos. Que não apenas respondemos às urgências, mas também imaginamos o amanhã.

Assim, hoje proponho que celebremos o que conquistamos, sim, mas sobretudo que nos perguntemos que vida queremos viver e que legado queremos deixar. Que novas formas de liderança, de cuidado e de poder queremos semear para aquelas que vêm depois de nós.

As feministas do passado nos ensinaram a conquistar o espaço público. Que a nossa tarefa agora seja reconstruir a confiança no que é comum. Nesse caminho, a LAWRS tem um papel essencial: ser farol, ser refúgio e ser motor.

Sigamos liderando com imaginação.
Sigamos tecendo o futuro com a força e a ternura que nos trouxeram até aqui.
E sigamos celebrando, mais uma vez, que quando as mulheres se organizam, o rumo da história muda.