A mudança real é possível
Por Dolores Modern
Hoje em dia, é amplamente reconhecido que mulheres migrantes com um estatuto migratório inseguro frequentemente não denunciam casos de abuso doméstico, violência de género e exploração, por medo. Durante quase uma década, a campanha Step Up Migrant Women tem lutado pelo estabelecimento de uma barreira que impeça a partilha de informação pessoal entre a polícia (e outros serviços do Estado) e as autoridades de imigração (Immigration Enforcement). Esta reforma não é nova nem radical: já foi testada com sucesso no estrangeiro e tem sido recomendada de forma consistente por organizações sem fins lucrativos, comissários independentes, parlamentares e organismos das Nações Unidas.
Nos últimos meses, dois acontecimentos importantes voltaram a chamar a atenção para esta questão.
Em janeiro de 2026, a Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) publicou a sua nova política de partilha de informação com o Departamento de Imigração do Home Office. A política reconhece a necessidade de encontrar um equilíbrio entre as funções de proteção ao público e a necessidade imperativa de gerar confiança entre as vítimas e as comunidades.
No âmbito deste novo enquadramento, o PSNI irá restringir a partilha de dados pessoais de pessoas migrantes que tenham sido vítimas e/ou testemunhas de crime com as autoridades de imigração. A verificação da situação migratória de uma pessoa só será realizada quando existirem motivos razoáveis para suspeitar que tenha cometido crimes graves no estrangeiro, e apenas quando for necessário e proporcional. Estas decisões serão analisadas por oficiais superiores da polícia, e o contacto com as autoridades de imigração será feito por escrito para garantir transparência.
Esta abordagem reflete aquilo que organizações sem fins lucrativos e outros intervenientes — entre eles a Comissária contra a Violência Doméstica, a Comissária Independente contra a Escravidão Moderna e a Comissária para as Vítimas — têm defendido há muito tempo: uma separação clara entre a proteção das vítimas e o controle da imigração. Felicitamos as organizações da Irlanda do Norte que trabalharam incansavelmente para alcançar esta mudança.
Em claro contraste com esta política, a Estratégia para Combater a Violência contra as Mulheres e as Meninas (VAWG), publicada recentemente pelo Governo do Reino Unido, é mais ambígua. Embora as mulheres migrantes estejam praticamente ausentes do documento, reconhece-se que a situação migratória pode impedir que as vítimas decidam denunciar situações de violência e procurar apoio. Este reconhecimento é importante. Representa uma mudança na linguagem e demonstra uma maior conscientização sobre uma barreira que existe há muito tempo.
No entanto, a solução proposta fica aquém do necessário. A Estratégia estabelece que a polícia deverá obter o consentimento das vítimas de violência doméstica antes de partilhar a sua informação com as autoridades de imigração.
A nossa experiência ao apoiar sobreviventes de tráfico de pessoas e exploração leva-nos a levantar sérias dúvidas sobre esta abordagem. As mulheres encaminhadas para o Mecanismo Nacional de Referência (NRM) também devem dar o seu consentimento para que os seus dados sejam partilhados com o Home Office. No entanto, muitas chegam aos nossos serviços após terem sido encaminhadas para o NRM sem saber que deram o seu consentimento ou sem compreender plenamente as implicações que isso acarreta. Não se pode assumir que o consentimento obtido em contextos de medo, trauma, barreiras linguísticas e desequilíbrio de poder seja verdadeiramente livre ou informado.
A relação entre as comunidades migrantes e a polícia é marcada pela desconfiança, pela desigualdade de poder e por um ambiente hostil em relação aos imigrantes. Esperar que o consentimento individual supere estas barreiras estruturais é pouco realista. Sem uma reforma sistémica, esta medida corre o risco de ser simbólica em vez de transformadora.
Não se trata de uma “medida inovadora”, como afirma a estratégia contra a violência contra as mulheres e as meninas, mas sim de uma tentativa frágil de apaziguar todas as pessoas que têm vindo a exigir uma mudança.
Se o Governo realmente pretende que as vítimas denunciem os abusos sem medo — e melhorar os resultados na aplicação da lei — precisa ir além das salvaguardas baseadas no consentimento e estabelecer uma verdadeira barreira entre a polícia e os serviços de imigração. O Partido Trabalhista, quando estava na oposição, foi um forte defensor desta medida.
O PSNI demonstrou que uma mudança real é possível. A pergunta agora é se o Governo está disposto a implementá-la.
Reflexões no Dia Internacional da Mulher
Por Mariana Brandeburgo, Co-Chair do Board of Trustees da LAWRS
Hoje nos encontramos em um momento de enorme complexidade global e local. O avanço do autoritarismo, da desinformação e da polarização é evidente, e falamos constantemente que vivemos tempos de crise, de rupturas e de retrocessos.
E sim: as tensões políticas, as desigualdades econômicas, o racismo estrutural e as múltiplas violências que atravessam as mulheres, as dissidências e as pessoas migrantes são reais. Mas a nossa determinação também é.
Se algo a trajetória do feminismo nos ensina é que não existe contexto hostil demais para quem decide transformar a realidade. As mulheres, as migrantes, as trabalhadoras, as sobreviventes, as cuidadoras, aquelas que atravessaram fronteiras e aquelas que resistiram ao esquecimento: todas nós construímos os alicerces sobre os quais a LAWRS se sustenta hoje como uma organização indispensável.
Das sufragistas que abriram caminho para uma participação política mais plena, às companheiras que lutaram por leis contra a violência, até as feministas que hoje questionam o racismo institucional e os sistemas migratórios que desumanizam: o fio é o mesmo. Não se trata apenas de conquistar direitos, mas de reimaginar o mundo a partir das nossas próprias experiências, da solidariedade, da dignidade e da justiça.
A LAWRS nasceu dessa convicção: de que nossas vidas importam. De que as mulheres migrantes têm voz, força, memória e futuro. E que esse futuro nós tecemos juntas: em rede, com confiança e com convicção em nossa visão.
Hoje, mais do que nunca, precisamos recuperar algo que as feministas de todos os tempos souberam preservar: a imaginação política. Não como um sonho ingênuo, mas como a capacidade de visualizar aquilo que ainda não existe. De acreditar que podemos habitar instituições diferentes, relações mais justas e comunidades mais acolhedoras. Nossa liderança, então, não se mede apenas pelos serviços que prestamos ou pelas políticas que influenciam—ambos vitais—, mas também por como acendemos esperança e criatividade em tempos em que o medo e o cansaço parecem dominar tudo.
Liderar hoje pode ser oferecer um horizonte. Convidar outras pessoas a acreditar que outra forma de viver, de cuidar umas das outras e de decidir é possível. Se algo distingue a LAWRS é justamente isso: que não apenas acompanhamos, mas mobilizamos. Que não apenas denunciamos, mas propomos. Que não apenas respondemos às urgências, mas também imaginamos o amanhã.
Assim, hoje proponho que celebremos o que conquistamos, sim, mas sobretudo que nos perguntemos que vida queremos viver e que legado queremos deixar. Que novas formas de liderança, de cuidado e de poder queremos semear para aquelas que vêm depois de nós.
As feministas do passado nos ensinaram a conquistar o espaço público. Que a nossa tarefa agora seja reconstruir a confiança no que é comum. Nesse caminho, a LAWRS tem um papel essencial: ser farol, ser refúgio e ser motor.
Sigamos liderando com imaginação.
Sigamos tecendo o futuro com a força e a ternura que nos trouxeram até aqui.
E sigamos celebrando, mais uma vez, que quando as mulheres se organizam, o rumo da história muda.
Vozes de Jovens Latinas: Pesquisa sobre abuso online e o impacto da fetichização
O Conselho Consultivo de Mulheres Jovens (Young Women’s Advisory Board - YWAB) da LAWRS apresenta seu mais recente trabalho: “Vozes de Jovens Latinas: Pesquisa sobre abuso online e o ipacto da fetichização".
Quem Somos
O YWAB é um grupo de jovens latino-americanas de 18 a 25 anos dedicado a discutir todas as formas de violência contra mulheres e meninas (VAWG, na sigla em inglês). Abordamos este trabalho a partir de nossas experiências vividas e identidades interseccionais como migrantes, latino-americanas e mulheres jovens. Reunimo-nos em um espaço seguro e colaborativo para desenvolver habilidades de liderança e ativismo, participar de discussões políticas e aumentar nossa capacidade de influenciar os espaços de tomada de decisões em prol das jovens da nossa comunidade.
Nosso Programa e o Elaboração de um Relatório de Pesquisa de Pares
Nosso programa ocorreu de maio de 2025 a fevereiro de 2026, com doze sessões de treinamento com foco em ativismo feminista, autocuidado para ativistas, compreensão da VAWG, abuso tecnológico e online, artivismo e métodos de pesquisa entre pares. Essas sessões foram facilitadas pela LAWRS, pela Partnership for Young London e pela artista Ximena Ruiz del Río.
Inicialmente, realizamos grupos focais com integrantes do conselho que têm experiência de vida como mulheres latino-americanas morando e/ou estudando em Londres. Essas discussões nos permitiram identificar experiências comuns e refinar nosso tema de pesquisa. Coletivamente, decidimos concentrar na nossa investigação na fetichização racial e no abuso online, devido à sua relevância contemporânea e conexão com nossa experiência de vida. Isso nos levou à seguinte questão de pesquisa:
Qual é o impacto da fetichização no TikTok e no Instagram da imagem “latina” nas identidades de jovens mulheres latino-americanas de 18 a 25 anos que vivem em Londres?
Para isso, optamos por uma abordagem de métodos mistos: entrevistas semiestruturadas, questionário online e análise de conteúdo de mídias sociais. Realizamos 15 entrevistas semiestruturadas com mulheres latino-americanas de 18 a 25 anos que vivem e/ou estudam em Londres. Para complementar os dados das entrevistas, realizamos uma pesquisa online, que recebeu 36 respostas com dados quantitativos e qualitativos. Por fim, realizamos uma análise de conteúdo de postagens nas redes sociais, com foco no TikTok e no Instagram, para identificar padrões de fetichização racial e representação sexualizada. Com isso, escrevemos colaborativamente este relatório de pesquisa que inclui nossas principais conclusões e recomendações de políticas.
Principais Descobertas
Nossa pesquisa revelou cinco descobertas principais:
- A imagem fetichizada da “latina” no TikTok e no Instagram reforça uma imagem racializada e patriarcal das mulheres latino-americanas.
- As redes sociais perpetuam o estereótipo da “latina” como sendo “irritada” ou “agressiva”, mas também “submissa” e “controlável”.
- O TikTok e o Instagram amplificam o conteúdo fetichista sobre as “latinas”, o que significa que elas são constantemente expostas a eles, o que reforça e normaliza estereótipos prejudiciais.
- As expectativas físicas hipersexualizadas do estereótipo “latina” no TikTok e no Instagram afetam negativamente a relação das jovens com seu próprio corpo.
- A exposição a conteúdo fetichista no TikTok e no Instagram pode criar uma sensação de distanciamento de si mesmas.
- O TikTok e o Instagram promovem padrões coloristas e coloniais do que as mulheres latino-americanas “devem” ser.
- O conteúdo fetichista sobre “latinas” no TikTok e no Instagram contribui para sentimentos de alienação de sua comunidade devido a representações limitadas e distorcidas.
- A normalização do conteúdo fetichista sobre “latinas” no TikTok e no Instagram dessensibiliza e desestimula denúncias às plataformas de mídia social.
- A fetichização online impede a participação política, pois desvaloriza as vozes e o envolvimento público das mulheres latino-americanas.
Essas descobertas fornecem informações valiosas sobre como a fetichização racial e o abuso online podem moldar a identidade, o sentimento de pertencimento e a participação política de jovens mulheres latino-americanas no Reino Unido.
Recomendações políticas
Há uma necessidade urgente de ação coordenada em vários níveis. As plataformas de mídia social devem sinalizar, monitorar e remover de forma mais eficaz o conteúdo fetichista. As autoridades governamentais devem legislar adequadamente para garantir que os direitos das mulheres jovens sejam protegidos e garantidos. Outras partes interessadas, incluindo organizações e instituições educacionais, devem promover programas de prevenção que capacitem os jovens a reconhecer, questionar e denunciar esse tipo de conteúdo. As jovens também devem receber apoio para reconhecer essa forma de violência, identificá-la como prejudicial e sentir-se empoderadas para denunciá-la, a fim de mitigar seu impacto sobre a imagem corporal, a autoestima e o senso de identidade e pertencimento. Sem intervenção, esses estereótipos continuam a desvalorizar suas vozes e a impedir sua participação política.
Para uma compreensão mais detalhada de nossa pesquisa, incluindo uma descrição completa das principais descobertas e recomendações políticas, por favor leia nosso relatório completo aqui.
Nosso Artivismo: Uma Resposta Criativa para Combater o Abuso e a Fetichização Online
Como parte de nosso processo de pesquisa, também criamos uma campanha nas redes sociais que representava o nosso compromisso em destacar como a fetichização da imagem 'latina' é uma forma de abuso online e o impacto que tem na identidade das jovens mulheres latino-americanas.
Confira toda a campanha, imagens e mensagens em nossas páginas no Instagram:
Envolva-se
Se você tiver alguma dúvida ou quiser participar de nossas atividades gratuitas para jovens latino-americanas, adoraríamos ouvir de você! Entre em contato conosco por e-mail em sinfronteras@lawrs.org.uk.
Nossas atividades estão abertas para meninas e jovens mulheres latino-americanas entre 14 e 25 anos que moram no Reino Unido, incluindo mulheres latino-americanas de primeira e segunda geração e/ou com nacionalidade europeia ou do Reino Unido.
#16DiasDeAtivismo - Direitos humanos e política migratória: uma lacuna cada vez maior
Por María Monserrat Escudero e Dolores Modern
Os direitos humanos em contexto
Este ano, comemorar o Dia dos Direitos Humanos é fundamental.
O marco dos direitos humanos tem guiado governos, políticos e sociedades em geral durante décadas, consagrando o valor da vida humana, a dignidade e a compaixão além das fronteiras. É alarmante que esse consenso esteja agora sendo questionado em nível mundial. No Reino Unido, isso fica claro no compromisso de alguns membros do Parlamento de revogar a Lei dos Direitos Humanos e abandonar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Mas não é necessário ir tão longe para colocar em risco nossos direitos humanos. Ao demonizar a imigração, este governo está alimentando o discurso que questiona se todos merecemos os mesmos direitos.
Os direitos humanos estão interligados e, mais importante ainda, são inerentes a todos os seres humanos. Ao privar certos grupos de pessoas de seus direitos fundamentais, estamos privando-os de sua humanidade. No contexto dos 16 dias de ativismo, em que o foco está na importância de erradicar a violência contra mulheres e meninas, a interligação dos direitos humanos ganha destaque.
O efeito desumanizador do ambiente hostil à imigração
Não se pode subestimar a crueldade do ambiente hostil em que vivemos atualmente, nós, Imigrantes , requerentes de asilo e refugiados. Nossas comunidades têm visto sua vulnerabilidade aumentar progressivamente ao longo dos anos. E quando pensávamos que as coisas não poderiam piorar mais, um governo no qual muitos de nós depositávamos nossas esperanças se voltou contra nós.
Os imigrantes se tornaram bodes expiatórios de todos os tipos de falhas do Estado. Somos culpados pela crise imobiliária, pela austeridade que afeta a classe trabalhadora, pela queda dos salários e pela piora das condições de trabalho. Não há provas que demonstrem que a imigração tenha causado qualquer um desses problemas, nem que reduzi-la poderia resolvê-los. No entanto, a ideia de que os imigrantes, requerentes de asilo e refugiados estão empobrecendo o Reino Unido ao tirar recursos dos cidadãos britânicos é difundida na mídia, nos debates parlamentares e até mesmo nos lares.
O objetivo dessas narrativas não é resolver as causas reais dos problemas enfrentados pelo Reino Unido. Elas são utilizadas e exploradas para criar divisões, encobrir falhas do Estado e obter apoio político em um contexto de crise e preocupação. Essas narrativas e as políticas delas derivadas são também uma prolongação do projeto colonial, que se beneficiou da exploração e da extração de outras comunidades . Agora vemos como isso ocorre dentro das fronteiras do Reino Unido, ao permitir a desumanização de seres humanos que fizeram deste país o seu lar, mesmo que temporariamente.
O impacto real da desumanização dos migrantes
A deterioração do quadro dos direitos humanos e os discursos que a promovem afetam-nos a todos. Uma mãe pode ter medo de falar com o seu filho na sua própria língua em público. Uma menina pode ser vítima de assédio na escola. Um trabalhador pode ter medo de denunciar o seu empregador por abusar dos seus direitos. Uma estudante pode decidir não continuar os seus estudos no Reino Unido por medo da violência. Isso cria uma sociedade fragmentada, na qual o medo se infiltra nas comunidades e corrói a confiança e a solidariedade que nos mantêm unidos. Também abre as portas para uma maior restrição dos direitos de todos.
Para as pessoas mais vulneráveis, incluindo as mulheres com quem trabalhamos, que são sobreviventes de violência de gênero, tráfico e exploração, esse contexto torna ainda mais difícil acessar ajuda, justiça e reparação. Essas mulheres, que muitas vezes enfrentam problemas interseccionais relacionados ao racismo estrutural e à discriminação de classe, estão sendo sistematicamente abandonadas por este governo em várias frentes. São precisamente as pessoas que o governo diz querer proteger.
Os direitos dos migrantes e os direitos das mulheres são direitos humanos.
Não há seres humanos menos merecedores de uma vida digna. A violência contra as mulheres e as meninas não será erradicada se, como sociedade, marginalizarmos as mulheres que, devido à sua condição de imigrantes, são alvo de violência e discriminação institucionais. A ideia de “conquistar” os direitos humanos, por exemplo, por meio de condições cada vez mais complexas para a residência permanente, vai contra os compromissos que este país assumiu de abandonar o projeto colonial e se tornar um firme defensor do avanço de todos os povos.
Nesse contexto, as comunidades e redes de solidariedade estão assumindo o papel do Estado e protegendo os mais vulneráveis. No entanto, as organizações e comunidades não podem reverter as consequências dessas restrições sozinhas.
Mas nos recusamos a perder a esperança. Em tempos de crise, a humanidade tem superado as dificuldades fortalecendo os laços comunitários e ajudando uns aos outros. O Reino Unido foi, em seu tempo, uma voz de destaque na adoção dos direitos humanos em nível mundial, sendo a primeira nação a ratificar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Precisamos de um governo que possa retomar esse mandato, que não esteja cego por benefícios políticos de curto prazo e que esteja à altura dos desafios que nossa época enfrenta.
Todos nós merecemos viver com dignidade. Um sistema migratório justo, que ofereça proteção real e igualitária a todos, é a única forma de garantir os direitos humanos.
Política de imigração do Partido Trabalhista e LAWRS
Immigration White Paper
Em maio deste ano, o governo do Reino Unido publicou o Immigration White Paper, delineando uma série de mudanças propostas para a política de imigração. Essas propostas geraram ampla incerteza e medo entre as comunidades migrantes — sentimentos que persistem até hoje, já que muitos detalhes ainda não foram definidos.
A direção tomada pelo governo é profundamente preocupante. Em vez de desmantelar o ambiente hostil criado por governos conservadores anteriores, busca consolidá-lo e expandi-lo — em detrimento de toda a sociedade.
As medidas propostas são, e continuarão sendo, particularmente prejudiciais para mulheres migrantes — especialmente aquelas que são sobreviventes de violência de gênero, tráfico, escravidão moderna e condições de trabalho exploratórias ou pouco seguras.
A LAWRS, junto com as organizações parceiras Southall Black Sisters, Hibiscus e EVAW, e apoiada por mais de 100 outras organizações, está lutando contra essas políticas cruéis. Lançamos uma resposta destacando como essas medidas prejudicarão as mulheres migrantes e encerramos com um protesto em frente ao Home Office no dia 15 de outubro. No entanto, sabemos que essa será uma luta longa — que
exigirá ação coletiva contínua, solidariedade entre movimentos e um compromisso constante em colocar no centro as vozes e a liderança das mulheres migrantes.

Por que estamos tão preocupadas?
A normalização da extrema-direita nas políticas de imigração
O Immigration White Paper representa uma escalada perigosa e racialmente discriminatória, que coloca a culpa da privação econômica e social nos imigrantes, e não na austeridade. O governo está normalizando a retórica da extrema-direita, utilizando-a para orientar a formulação de políticas reacionárias em um momento em que a violência contra imigrantes, solicitantes de asilo e refugiados está aumentando.
Isso é evidente não apenas no White Paper, mas também nas declarações subsequentes do Primeiro Ministro e de outros membros de seu gabinete, bem como na falta de ação do governo em condenar as atitudes de grupos de extrema-direita que têm como alvo migrantes e pessoas em busca de asilo.
Mulheres migrantes vítimas/sobreviventes de violência doméstica
O governo prometeu reduzir pela metade a violência de gênero em 10 anos. No entanto, em seu White Paper, falha em abordar a vulnerabilidade das mulheres migrantes sobreviventes de violência de gênero (VAWG, na sigla em inglês). Serviços de linha de frente, como a LAWRS, apoiam mulheres migrantes cuja incapacidade de acessar abrigos comuns, apoio financeiro, moradia estável ou orientação jurídica de qualidade as impede de fugir da violência doméstica e reconstruir suas vidas. As proteções existentes, como a Concessão para Vítimas Migrantes de Violência Doméstica (MVDAC) e a Autorização de Residência Permanente por Violência Doméstica (DVILR), são extremamente limitadas e abrangem apenas um número restrito de mulheres com status migratório precário.
Além disso, o risco de que serviços públicos — incluindo a polícia — compartilhem informações com as autoridades de imigração é diretamente utilizado como arma pelos agressores, desencorajando as denúncias e o acesso à proteção. Pessoas que agora ocupam cargos no governo já haviam ressaltado anteriormente a necessidade crítica de estabelecer uma barreira entre a fiscalização da imigração e a polícia. Apesar disso, os compromissos de remover esses obstáculos não foram cumpridos, e as proteções continuam inacessíveis para a maioria das mulheres migrantes vítimas/sobreviventes.
Mercado de trabalho e imigração
Este governo continua a desvalorizar os cargos que classifica como de “baixa qualificação”, ocupados majoritariamente por mulheres migrantes no Reino Unido. Isso inclui o trabalho de cuidados, limpeza e serviços de apoio, setores em que as trabalhadoras essenciais já enfrentam condições precárias e falta de proteção adequada. A decisão de eliminar os vistos para cuidadoras é particularmente alarmante e coloca em risco de colapso um setor já frágil.
Nos preocupa o fato de que o planejamento real da força de trabalho e o investimento setorial estejam sendo substituídos pela dependência no trabalho de mulheres migrantes como soluções temporárias para a escassez de mão de obra. Ao restringir o acesso dessas trabalhadoras à estabilidade e à residência de longo prazo, essas políticas as forçam a aceitar condições precárias e aprofundam a dependência de parceiros ou empregadores — aumentando o risco de abuso e exploração.
Também rejeitamos completamente a narrativa do governo de apresentar o controle da imigração como uma forma de combater a exploração laboral. Essa abordagem distorce as verdadeiras causas do abuso no mercado de trabalho e pune as vítimas/sobreviventes, em vez dos empregadores exploradores que continuam a lucrar com sua vulnerabilidade.
Criminalização das vítimas/sobreviventes
No Reino Unido, a maioria das mulheres presas ou sob supervisão comunitária já sofreu algum tipo de abuso ou exploração. Para sobreviventes migrantes em situação de vulnerabilidade, a criminalização muitas vezes decorre de coerção ou de precariedade econômica. Como mencionado anteriormente, mulheres migrantes também enfrentam barreiras para denunciar abuso e exploração, o que faz com que fiquem invisíveis até entrarem em contato com o sistema de justiça criminal. A deportação automática e as remoções aceleradas impedirão que essas sobreviventes busquem justiça de forma significativa e reconstruam suas vidas.
Prioridades urgentes para ação
O governo enfrenta uma escolha urgente: continuar fortalecendo a ideologia de extrema-direita ou tomar
medidas imediatas para proteger vítimas/sobreviventes migrantes. Fazemos um apelo ao governo para
que:
- Abandone o Immigration White Paper do Governo do Reino Unido (maio de 2025), que prejudica vítimas/sobreviventes de violência contra mulheres e meninas (VAWG), tráfico e escravidão moderna.
- Implemente mecanismos seguros de denúncia.
- Acabe com a criminalização de vítimas/sobreviventes de VAWG, tráfico e escravidão moderna.
- Revogue integralmente a Lei de Migração Ilegal (2023) e a Lei de Nacionalidade e Fronteiras (2022).
- Combata o racismo sistêmico e as desigualdades estruturais.
- Centralize e garanta financiamento protegido para organizações conduzidas por e para mulheres migrantes.
- Estenda o modelo combinado MVDAC-DVILR a todas as vítimas/sobreviventes, independentemente de seu status migratório.
Mês dos Voluntários 2025: O que significou para mim ser voluntária na LAWRS?
Por Valentina, voluntária na linha de apoio do LAWRS e na equipe de psicoterapia como Administradora.
Meus dois anos como voluntária na LAWRS foram uma aventura incrível, cheia de crescimento, desenvolvimento pessoal e profissional, conexão com a minha comunidade e empoderamento. Já acompanhava o trabalho do LAWRS há alguns anos antes de me juntar à equipe, mas, na época, eu não tinha tempo ou disponibilidade para ser voluntária. Quando finalmente tive essa oportunidade, foi maravilhoso encontrar uma equipe pronta para me acolher, apoiar e capacitar.
Como voluntária na linha de apoio -uma função desafiadora, mas extremamente gratificanteaprendi sobre as necessidades das mulheres da nossa comunidade, como podemos ajudá-las e, também, como escutar ativamente e exercer empatia respeitando os limites pessoais. Tudo isso ao lado de uma equipe incrível de voluntárias com quem pude compartilhar essa experiência, além de contar com o apoio contínuo da equipe técnica.
Depois de passar alguns anos fora do mercado de trabalho para me dedicar à minha família, foi maravilhoso reencontrar minha autoconfiança em uma organização que cuidou de mim tanto no nível profissional quanto pessoal. Também integrei a equipe de aconselhamento como voluntária administrativa, e foi muito gratificante apoiar uma equipe que faz um trabalho tão importante e lindo ao oferecer suporte às mulheres diante dos diversos desafios que enfrentam. Pude ouvir diretamente o quanto as mulheres que passam pelo aconselhamento se sentem gratas, e como esse apoio transforma suas vidas, oferecendo ferramentas para enfrentarem e lidarem com o que estiverem passando.
Um dos momentos mais marcantes dos meus anos no LAWRS foi a Marcha das Mulheres de 2024. Foi a minha primeira marcha, e foi simplesmente maravilhoso caminhar e levantar a voz junto com milhares de mulheres de diferentes organizações por uma causa que me é tão cara: os direitos e o empoderamento das mulheres. Me senti parte de algo maior e orgulhosa de ser uma mulher latino-americana. Vou sentir saudades do LAWRS e de todas as pessoas que conheci por lá, e as levarei comigo sempre no coração. Muito obrigada por esses dois anos tão especiais e transformadores.
‘Hips Don't Lie’: Exploring how the image of Latina femininity, hyper-sexuality and identity in the mainstream media affects the lives of Latin American women in London
While studying Human, Social, and Political Science at the University of Cambridge, I proposed the following research question for my third-year dissertation:
How do Latin American women in London navigate experiences of racialised femininity and hypersexuality based on mainstream media and community expectations?
Through interviews, I investigated how Latin American women view media representations and their interpretations of 'hypersexualisation' - what it means to them, whether they have experienced it, and whether it is tied to media representation of Latin American women.
I found six key findings, which were the following:
The Power of Visual Imagery
When asked about representation in media they consumed, women primarily discussed U.S. visual imagery and how these shaped dominant ideas of Latin American women. Latin American celebrities with an international presence were also referenced. Women acknowledged the importance of dominant representations while critiquing how they remain exclusionary and reinforce stereotypes.
Latin American women named significant representatives were Jennifer Lopez, KAROL G, Anitta, Shakira, Sofia Vergara, and Anya-Taylor Joy. There were mixed attitudes towards these women; for instance, while women celebrated their achievements, there was criticism that they had more Eurocentric features. Women of African, Asian, and Indigenous descent felt excluded, feeling that visual imagery still has a long way to go. Brazilian women also felt excluded as more focus was on representing Spanish speakers.
British Mainstream Media
Participants noted a lack of representation in British mainstream media, which may have also impacted how non-Latin Americans in London perceive Latin American women. In the absence of media representation, women explored depictions of Latin American identity and femininity in London through community spaces and alternative media. These included the Colombian Consulate, which has a very active role in the celebration of Colombian heritage, and 'Popola', the queer Latinx and Afro-Caribbean night club. One participant identified 'My Uncle Is Not Pablo Escobar', a play performed at the Brixton House, as the first time they felt represented as British-Latinx.
The internet emerged as an important source for finding representation. Some used TikTok to locate other Latin Americans in London. The internet also provided access to streaming services, where women could access Latin American visual media or listen to Latin American artists.
The Latin American Body in Constructing Identity
All participants discussed how there was a stereotypical imagination of what Latin American bodies should look like from non-Latin Americans - petite, slim, curvy, and tanned, but light skin. Most notably, there was excessive focus placed on the idea of having large buttocks - the absence and presence of large buttocks were then used by non-Latin Americans to determine whether a woman 'looks' Latin American or not.
The Latin American body was also frequently discussed regarding movement - women were expected to be able to dance. Furthermore, one woman discussed how she felt that non-Latin American men draw a correlation between the ability to dance and the ability to perform well during sex.
Women shared how they felt that their bodies were more openly commented on, suggesting a sense of entitlement to Latin American bodies - women were either told their body 'gave away' that they were Latin American, that their body did not 'look' Latin American or asked invasive questions about cosmetic surgery.
Perceptions from the British General Population
Women felt that heterosexual cisgender men, irrespective of ethnic background, were the primary perpetrators of attributing hypersexuality to Latin American women. The ‘Latin American’ identity was seen as a 'fetish' or 'type' to be consumed for sexual gratification - for instance, when a woman's Latin American identity is revealed, she becomes seen as 'more' attractive. However, this sentiment was not just limited to men, with one woman sharing how British populations, and 'Westerners' more broadly, perceive Latin American women as a 'sexual' group, which directly opposed how she perceived herself.
The perception of Latin American women was heterogeneous - some women shared generally favourable treatment of their Latin American identity. In contrast, others experienced derogatory comments related to migration status or dating men for citizenship, even if they were born in London.
Is there a pressure to conform?
Most women felt a degree of pressure to conform to the stereotype of Latin American women, but this did not mean they acted on it. The pressure was predominantly rooted in the expectations non-Latin Americans placed on them based on U.S. media representation. Women who grew up in Latin America discussed being unaware of these stereotypes before migration, which came as a cultural shock. Some women have internally questioned whether they are Latin American enough' as they fall outside of the imagined appearance and behaviour of what Latin American women should look like - this included wearing clothes women were not entirely comfortable in or behaving more friendly than they usually would.
There was a duality in conformity to stereotypes—for some women, conformity was a way to access new opportunities. For instance, one woman shared how she will send headshots for acting roles that are 'sexier' as she is aware that directors are looking for this in Latin American actresses. Another woman shared how they may lean into the assumption that they can dance within dating as they can benefit from it.
However, the pressure to conform has dangerous impacts - women who were born in London or migrated at a young age were most impacted by pressure to conform, which led them to behave in ways they now consider age-inappropriate. Most notably, women felt they needed to act 'sexually' from a young age as, despite being teenagers, Latin American women born and raised in London thought they 'had to' project a sexy image as the imagination of the hyper-sexualised Latin American women was ever-present in their lives growing up.
Skin Tone and Ethnicity
Not all women experienced hyper-sexualisation the same - instead, women felt that skin tone and their physical appearance impacted the intensity of how they were sexualised. Women of African descent discuss a double sexualisation - one participant shared that they were perceived as 'exotic' because they were Colombian. Then, their Blackness elevates this sexualisation to a higher degree as they are objectified through exoticised curiosity. In a similar dynamic, women of Asian descent discuss a similar phenomenon - one woman discussed how she was initially sexualised through the lens of Asian women as 'submissive' or a 'sexual geisha'; however, once revealing her Brazilian identity, the way she was sexualised shifted to match stereotypes of Latin American women. Women of Indigenous descent experienced a dichotomy - one woman discussed how her skin tone and ethnicity were sexualised, which led to her being allocated to sexual acting roles. However, there was also an expectation to be 'whiter'. This led her to avoid tanning and having her initial acting headshots over-exposed.
Latin American women who identified as 'white-passing' or 'European-presenting' discussed the levels of privilege they experience in being able to 'hide' their identity. For instance, if women were in situations where Latin American women were being openly sexualised, they could decide not to disclose their identity. However, the appearance of light skin and dark features still led to sexualisation as one woman described her appearance in terms of and discussed that this was 'exciting' for non-Latin American men.
Concluding thoughts
The London Latin American community are institutionally invisible, yet Latin American women's bodies are highly visible because of their racialised sexuality. I end by foregrounding the need for British Latin American representation. Without official statistics, we cannot develop accurate research, as we are unaware of the demographics of Latin American communities. The London Latin American community has been present for decades. Further research is requisite to understand London Latin American women's voices and their myriad experiences.
Join our Young Women’s Advisory Board 2025!
Would you like to unlock your full potential to champion and lead action to tackle violence against women and girls (VAWG)?
At LAWRS, we are looking for 10 enthusiastic Latin American Young Women aged 18 to 24, based in London, to join our Young Women’s Advisory Board for one year 🥳
What’s it about? 🤔
The Young Women’s Advisory Board is an initiative by the Latin American Women’s Rights Service (LAWRS) and its project for girls and young women: Sin Fronteras. The programme seeks to train Latin American Young Women for collective action at the intersection of migration, age, gender, amongst other issues.
This programme provides you with theoretical and practical skills in feminist leadership and advocacy that you will be able to apply in your life, your career, and with your community.
The program will be held in English and Spanish and meetings will be in-person in London.
Policy, sorority and leadership!
Who’s it for? 🤷🏽♀️
Latin American Young Women aged 18 to 24*, based in London, are invited to participate in the Young Women’s Advisory Board and will receive a stipend to support their engagement in the programme (at London Living Wage levels).
* This also includes first and second generation young women with Latin American ethnicity and European/UK nationality.
* You must be at most 24 years old by the time of submitting the application form.
How? 👩🏽💻
The one year programme (May 2025 - March 2026) consists of 12 Leadership and Advocacy training sessions and group meetings about tackling violence against women and girls (VAWG) as Latin American young migrant women advocates, and 3 organisational planned activities (LAWRS’ Annual General Meeting (AGM), LAWRS’ International Women’s Day event (IWD), and the International Women’s Day Million Women Rise March).
Programme Timeline 🗓️
Programme Starts: Saturday 10th May 2025!
Leadership and Advocacy training sessions and group meetings:
All of these will take place on Saturdays from 11am - 3 pm, in-person in London.
- 10th of May 2025
- 24th of May 2025
- 7th of June 2025
- 21st of June 2025
- 5th of July 2025
- 19th of July 2025
- 2nd of August 2025
- 13th of September 2025
- 27th of September 2025
- 25th of October 2025
- 22nd of November 2025
- 6th of December 2025
Organisational planned activities:
- 8th of November 2025: LAWRS's Annual General Meeting (AGM).
- 28th of February 2026: LAWRS's International Women's Day Event (IWD).
- 7th of March 2026: International Women's Day: Million Women Rise March
Program Ends: Saturday 7th March 2026.
* Throughout the year we expect to have participative activities where the YWAB can amplify their network and uptake action. These are highly recommended activities, however they are not compulsory and will not be financially compensated.
Benefits 🤩
With the Young Women’s Advisory Board you can: gain skills, meet new people, and influence LAWRS’ policy work bringing young migrant women’s voices to the centre of the organisation and the public debate.
Get involved in the work that we do, get paid for your time, gain valuable experience to include in your CV, get trained in leadership and activism, and be invited to LAWRS events and beyond!
This is your chance to create a more equal world for girls and young women, participate in a collective social change actions programme to tackle violence against women and girls (VAWG), and shape LAWRS’ policy work.
Apply Now! 🙋🏽♀️
Apply online using our Application Form: ➡️ ➡️ https://forms.gle/PXK37PotgJyS1sr29 ⬅️ ⬅️
Applications open until Friday 25th April 2025.
Please note that completion of the application form does not guarantee a place in the programme.
If your application is accepted, you will be invited to an interview. The interviews (30 minutes approximately) are going to be conducted online, on the 28th April and 1st May at some point between 10am and 4pm.
If selected, you are expected to attend the opening session on Saturday 10th May 2025.
Contact 🤳🏼
Melissa, the project coordinator, would be happy to talk to you if you have any questions or need support with your application. You can contact her at: sinfronteras@lawrs.org.uk / 07802 645001.
We would be grateful if you could also share this information with your network as we want to ensure many young women know about this opportunity, especially those with a passion to make a difference in the lives of women and girls.
Thank you for taking an interest, we can’t wait to hear from you! 🥰
Vozes de Jovens Latinas: Pesquisa sobre o Assédio Sexual nas Universidades de Londres
O Conselho Consultivo de Mulheres Jovens (Young Women’s Advisory Board - YWAB) da LAWRS apresenta seu mais recente trabalho: “Vozes de Jovens Latinas: Pesquisa sobre o Assédio Sexual nas Universidades de Londres.”
Quem Somos
O YWAB é um grupo de jovens latino-americanas de 18 a 25 anos dedicado a discutir todas as formas de violência contra mulheres e meninas (VAWG, na sigla em inglês). Abordamos este trabalho a partir de nossas experiências vividas e identidades interseccionais como migrantes, latino-americanas e mulheres jovens. Reunimo-nos em um espaço seguro e colaborativo para desenvolver habilidades de liderança e ativismo, participar de discussões políticas e aumentar nossa capacidade de influenciar os espaços de tomada de decisões em prol das jovens da nossa comunidade.
Nosso Programa e o Design de um Relatório de Pesquisa de Pares
Nosso programa ocorreu de abril de 2024 a março de 2025, com sessões de treinamento focadas em pesquisa entre pares, liderança e participação política, violência contra mulheres e meninas (VAWG), assédio sexual e artivismo. Essas sessões foram facilitadas pela LAWRS, pela Partnership for Young London e pela artista Ximena Ruiz del Río.
Através da discussão de experiências compartilhadas, descobrimos uma lacuna de pesquisa de como as identidades interseccionais das mulheres latino-americanas afetam suas experiências com o assédio sexual no ensino superior. O impacto desse assédio nos afeta profundamente enquanto navegamos pelos espaços universitários. Para amplificar nossos esforços de ativismo, decidimos criar um relatório de pesquisa que dê voz a essas experiências.
Realizamos um grupo focal para definir nossa pergunta de pesquisa. Todas as participantes do grupo estavam começando, em processo de ou já haviam terminado seus cursos universitários. Descobrimos que a maioria de nós havia enfrentado alguma forma de assédio sexual relacionada às nossas identidades como mulheres latino-americanas. Esses abusos, embora frequentemente invisíveis, ignorados ou normalizados, tiveram um impacto profundo em nossas vidas. Nossa pesquisa explorou como estereótipos, sotaques, migração, racismo, xenofobia e sexismo se interseccionam e moldam essas experiências.
Realizamos 13 entrevistas semi-estruturadas e criamos e distribuímos um questionário, recebendo 32 respostas à pesquisa. Utilizando análise temática, escrevemos colaborativamente o relatório de pesquisa entre pares, que inclui principais descobertas e recomendações políticas.
Principais Descobertas
Nossa pesquisa revelou cinco descobertas principais:
- O assédio sexual tem um impacto negativo significativo nas mulheres latino-americanas em diversas áreas de sua vida.
- Os procedimentos universitários para denunciar o assédio sexual não funcionam, tornando-se um processo inacessível e demorado, desestimulando denúncias.
- A múltipla estigmatização de ser migrante, latino-americana e mulher desmotiva as jovens mulheres a denunciar, pois as deixa mais vulneráveis.
- Estereótipos em relação às mulheres latino-americanas as tornam mais vulneráveis a assédio sexual, pois são vistas como mais "disponíveis sexualmente".
- A frequência do assédio sexual, juntamente com a estigmatização das latino-americanas no Reino Unido, faz com que esses comportamentos e atitudes sejam percebidos como "norma".
Essas descobertas fornecem percepções valiosas sobre as realidades enfrentadas pelas jovens latino-americanas e iluminam importantes aspectos que afetam suas vidas.
Para uma compreensão mais detalhada de nossa pesquisa, incluindo uma descrição completa das principais descobertas e recomendações políticas, por favor leia nosso relatório completo aqui.
Nosso Artivismo: Uma Resposta Criativa para Combater a VAWG
Como parte de nosso processo de pesquisa, também criamos uma campanha nas redes sociais para sensibilizar sobre o assédio sexual e defender os direitos das jovens mulheres migrantes. Nossa campanha reflete nosso compromisso em combater todas as formas de VAWG na sociedade britânica.
Confira toda a campanha, imagens e mensagens em nossa página no Instagram: Sin Fronteras - LAWRS Instagram.
Envolva-se
Se você tiver alguma dúvida ou quiser participar de nossas atividades gratuitas para jovens latino-americanas, adoraríamos ouvir de você! Inscreva-se através de nosso formulário no Google ou entre em contato conosco pelo WhatsApp pelo número 07802 645001 ou por e-mail em sinfronteras@lawrs.org.uk.
Nossas atividades estão abertas para meninas e jovens mulheres latino-americanas entre 14 e 25 anos que moram no Reino Unido, incluindo mulheres latino-americanas de primeira e segunda geração e/ou com nacionalidade europeia ou do Reino Unido.
Encontrando Força Juntas: Vozes das Nossas Sessões de Apoio Mútuo
Para mulheres latino-americanas no Reino Unido, enfrentar as realidades isoladoras e muitas vezes ocultas do abuso doméstico é ainda mais desafiador devido às dificuldades de ser migrante. Todos os anos, o LAWRS organiza sessões de apoio mútuo adaptadas às necessidades da nossa comunidade. Nosso objetivo é criar um espaço seguro onde essas mulheres possam compartilhar suas vozes, recuperar seu poder e dar passos rumo à recuperação.
Enfrentando Desafios Únicos
As barreiras sistêmicas e o ambiente hostil no Reino Unido tornam uma situação já difícil ainda mais desafiadora, colocando em risco direitos humanos fundamentais. Os agressores frequentemente usam esse ambiente hostil para manterem suas vítimas/sobreviventes aprisionadas. O LAWRS reconhece que as vítimas/sobreviventes migrantes não são vulneráveis por natureza, mas tornam-se vulneráveis devido às injustiças estruturais que enfrentam – seja pelo acesso limitado a recursos, desafios impostos pela condição de Sem Acesso a Fundos Públicos (NRPF), status migratório precário ou estigmas culturais relacionados ao abuso e violência doméstica.
As sessões deste ano incluíram, pela primeira vez, um foco em políticas públicas. Esse novo elemento abordou os desafios mais amplos enfrentados pelas vítimas/sobreviventes e buscou capacitá-las a se tornarem parte da mudança.
Por meio da colaboração entre as equipes de Violência Contra Mulheres e Meninas (VAWG) e Políticas Públicas, essas sessões amplificaram as vozes das sobreviventes e uniram suas jornadas pessoais às campanhas e à defesa promovidas pelo LAWRS.
Um Espaço para Recuperação e Empoderamento
Essas sessões ofereceram muito mais do que informações - foram um santuário de segurança, confidencialidade e, acima de tudo, liberdade para compartilhar experiências sem julgamentos. Para várias participantes, foi a primeira vez que se sentiram realmente vistas e ouvidas.
Como uma participante compartilhou: "Achei que não conseguiria falar porque tenho muita dificuldade. Mas este grupo foi diferente. Ele me deu força para me abrir. Saber que não estava sozinha fez toda a diferença."
Cada sessão foi estruturada de forma única, abordando temas que ressoaram profundamente com as experiências vividas pelas sobreviventes, incluindo:
- Privilégios Masculinos e Papéis de Gênero: Refletindo sobre como normas culturais perpetuam a desigualdade.
- O Ciclo da Violência: Reconhecendo padrões prejudiciais, com uma participante admitindo: "Achei que fosse amor."
- A Roda do Poder e Controle: Identificando e entendendo comportamentos abusivos.
- Estágios da Jornada: Focando seguir em frente e retomar suas vidas.
- Mitos sobre o Abuso Doméstico: Derrubando tabus e reconstruindo a autoestima após o abuso emocional.
- Protegendo as Crianças: Oferecendo ferramentas para proteger os filhos da manipulação e do dano.
Esses tópicos ilustraram as normas culturais e os papéis de gênero associados às expectativas familiares, como permanecer com o agressor independentemente do abuso e trauma, especialmente se houver filhos envolvidos, criando barreiras adicionais para reconhecer e enfrentar o abuso.
Superando Expectativas
A maioria das participantes chegou às sessões incertas, carregando fardos pesados de medo, raiva e dúvidas. Uma participante descreveu sua jornada: "Vim com muita raiva, mas, por meio dessas sessões, me sinto empoderada. Falar sobre esses temas foi incrivelmente útil. Este grupo foi muito proveitoso, dinâmico e respeitoso."
Outra refletiu sobre como essas sessões superaram suas expectativas iniciais: "Achei que seria como outros grupos de apoio, talvez algo como os Alcoólicos Anônimos. Mas, depois da primeira sessão, percebi que era completamente diferente. Foi perfeito para mim - um espaço para conversas verdadeiras. Ajudou-me mais do que eu poderia imaginar."
Uma Comunidade
Uma das realizações mais poderosas do grupo foi o entendimento compartilhado de que o abuso doméstico afeta mulheres independentemente de idade, educação ou origem. Uma participante compartilhou: "Pela primeira vez, percebi que o que eu estava passando fazia parte do ciclo da violência. As informações me deram clareza e me ajudaram a tomar a decisão de sair do relacionamento e ficar com meu bebê."
Essa conexão criou um efeito dominó de empoderamento. Muitas mulheres expressaram o desejo de compartilhar o que aprenderam com outras pessoas da comunidade latino-americana, criando um efeito cascata de conscientização e apoio. "Queremos divulgar para que mais mulheres saibam que existem espaços seguros como este," explicou uma participante.
Além das Sessões: Um Chamado à Ação
O LAWRS permanece comprometido em ouvir e apoiar as vozes da nossa comunidade; em buscar direitos iguais e justiça social para todas as mulheres latino-americanas e migrantes no Reino Unido. Queremos que as sobreviventes lembrem que o que viveram não é culpa delas e que suas vozes são poderosas e um catalisador para mudanças.
Essas sessões de apoio mútuo são uma oportunidade/um começo para aprofundar esses pontos. Ao final das sessões, algumas mulheres foram inspiradas a se envolver mais, expressando o desejo de participar do trabalho de defesa e políticas do LAWRS como parte de sua jornada de cura.
A missão do LAWRS é garantir que nenhuma mulher enfrente essa jornada sozinha. Desde o fornecimento de recursos essenciais até a amplificação de vozes, nosso trabalho é fundamentado na crença de que toda sobrevivente merece apoio, dignidade e um caminho para a recuperação .
Uma Mensagem à Nossa Comunidade: Você Não Está Sozinha
Para todas as mulheres latino-americanas enfrentando desafios semelhantes: você não está sozinha. Espaços como este existem para ajudá-la a curar, encontrar sua força e usar sua voz para defender seus direitos.
Como disse uma participante: "Eu me sinto muito forte." Outra compartilhou: "Sou muito grata por toda a ajuda; isso foi muito significativo para mim."
Suas experiências importam, e sua voz é poderosa. Vamos continuar a nos fortalecer e construir uma comunidade onde todas as mulheres se sintam vistas, ouvidas e apoiadas.
Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio, o LAWRS está aqui para você. Entre em contato conosco - este espaço é seu, e estamos prontas para ouvir.
Upcoming Events
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